Novas falhas e confusões deixam provas do Enem sob suspeita
Principais jornais do país dão ênfase nesta segunda-feira (08) aos erros sucessivos do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), que começa a virar caso de Polícia e de Justiça. O Ministério da Educação, por exemplo, já analisa a possibilidade de aplicar outro exame do Enem para candidatos prejudicados por erro de montagem de um dos quatro cadernos, o amarelo.Alunos tiveram problemas em vários estados do país. (FOTO ABr)
A falha levou estudantes a se depararem com textos repetidos ou questões ausentes. Pelo balanço oficial, 20 mil alunos receberam cadernos com problemas, mas muitos conseguiram trocar e a estimativa é de que os candidatos com direito a nova prova sejam 2 mil.
O jornal O Globo diz que o Enem terminou com risco de gerar uma guerra judicial. O exame virou caso de polícia: uma aluna, em Salvador, entrou com queixa-crime requerendo a anulação do teste, e o Ministério da Educação (MEC) chamou a Polícia Federal para apurar o uso de celulares e do Twitter durante a prova.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) considerou as falhas um "desastre" e anunciou que vai pedir ao Ministério Público Federal (MPF) que apure o caso.
Joaquim José Soares Neto, presidente do Inep, Instituto do MEC responsável pelas provas do Enem, garantiu que nenhum aluno será prejudicado.
O Estado de São Paulo destaca que o MEC registra diversas confusões com o Enem desde 2009 e compromete-se a analisar as reclamações dos estudantes "caso a caso". O edital para a impressão do exame mostra que a gráfica contratada era responsável por todo o processo, mas cabia ao ministério a aprovação das matrizes das provas que foram impressas e entregues aos estudantes no final de semana.
Também houve entraves relacionados à segurança. Em Recife , um repórter conseguiu entrar no banheiro com o celular e mandar uma mensagem de texto ao jornal em que trabalha informando o tema da redação. O Inep encaminhou o caso à Polícia Federal. Em Belo Horizonte, um aluno foi surpreendido usando o celular dentro da sala de aula e foi retirado para prestar informações à polícia.
Para o presidente do Inep, no entanto, os problemas com as provas amarelas, com os erros de impressão da folha de respostas e falta se segurança não comprometeram o exame, que ele classificou como “um sucesso”.
“A missão foi cumprida. Todo processo dessa dimensão pode ter alguns problemas, mas não vejo como esses problemas podem minar o Enem”, afirmou Soares Neto, acrescentanto que se o estudante entra com o aparelho de comunicação escondido, não tem como o fiscal de sala verificar isso.

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